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Largo das Quitandeiras

Largo das quitandeiras


 

O Largo das Quitandeiras (oficialmente denominado Largo de São Pedro, atualmente Praça Júlio de Castilhos) foi um importante espaço da geografia social popular de Rio Grande no século XIX. Situado próximo à região portuária, ficou conhecido popularmente como o Largo das Quitandeiras por se constituir como local de concentração e trabalho de mulheres negras, escravizadas e libertas, ligadas a este ofício.

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A atividade da quitanda (termo de origem banto, referente às regiões de Angola, Congo, Benguela, Cabinda, Moçambique)  foi comum nos espaços urbanos coloniais do Atlântico, sendo predominantemente marcado pela presença de população feminina. Foi transportada para esta margem do oceano mediante a diáspora africana. 

Agachadas por sobre seus calcanhares e em frente a panelas, fogueiras, cestos e tabuleiros – verdadeiras cozinhas – as quitandeiras preparavam alimentos diversos que eram vendidos aos trabalhadores da cidade juntamente com frutas, verduras, ovos e outros produtos. É possível ainda que as quitandas das cidades portuárias brasileiras fossem também palco para a comercialização de produtos de poder curativo e sobrenatural, tais como ervas e amuletos chegados da África mediante encomendas feitas a marinheiros inseridos nas rotas oceânicas, além, é claro, de transmissão de saberes religiosos de matriz africana. De forma que o Largo das Quitandeiras foi um importante território negro da cidade. 

Atualmente é a Praça Júlio de Castilhos, na esquina das ruas Luiz Lorea e Andradas. 

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Bibliografia:

 

BARRIOS, Andressa Farias. Mulata quitandeira: o lugar social da mulher negra no século XIX em Rio Grande e sua aplicação no ensino de artes visuais. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).Curso de Artes Visuais/FURG.

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MOLET, Claudia Daiane Garcia. Entre o trabalho e a correção: escravas e forras na cadeia de Rio Grande/RS (1864-1875). Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais). Instituto de Sociologia e Política. Universidade Federal de Pelotas. Pelotas, 2011.
 

OLIVEIRA, Vinicius Pereira de. Sobre águas revoltas: cultura política maruja na cidade portuária de Rio Grande/RS (1835 a 1864). Tese (Doutorado em História). Porto Alegre: UFRGS, 2013.

 

PANTOJA, Selma. A dimensão atlântica das quitandeiras. In : FURTADO, Junia Ferreira (org). Diálogos oceânicos: Minas Gerais e as novas abordagens para uma história do Império Ultramarino português. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2001, p. 45-67.

 

________. Conexões e Identidades de Gênero no caso Brasil e Angola - Séculos XVIII-XIX. In: X Congresso Internacional Cultura, Poder e Tecnologia: África e Ásia face à Globalização. X Congresso ALADAA. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2001b. v. 1.

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TORRES, Luiz Henrique. A Praça Júlio de Castilhos. Jornal Rio Grande, 10 de jan. 2021. Disponível em: https://www.jornalriogrande.com/Pagina/778/A-Praca-Julio-de-Castilhos

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